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Carybé

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Argentino mais brasileiro da história, ele alcançou posto elevado na alma e no coração da Bahia. Segundo Jorge Amado, o desenhista, escultor, jornalista e historiador recriou a realidade da vida popular brasileira que conhecia como poucos, por tê-la vivido como ninguém.

Carybé, ou Hector Julio Paride Bernabó, era argentino por nascimento, italiano pela infância e brasileiro por adoção. Nasceu em Lanús, a 7 de fevereiro de 1911. Viveu em Gênova e Roma. E mudou-se para o Brasil aos 8 anos. No Rio, frequenta entre 1927 e 1929 a Escola Nacional de Belas Artes. Por essa época, lhe dão o melhor emprego do mundo, segundo suas palavras: viajar e enviar desenhos.

Pago por um jornal diário, volta a percorrer o Brasil retratando cenas de capoeira e candomblé. O trabalho rende-lhe material para participar, em 1939, da primeira exposição coletiva, no Museu Municipal de Belas Artes de Buenos Aires. Entre 1941 e 1942, realiza outra viagem de estudos, desta vez por vários países da América do Sul.

De volta à Argentina, toma parte na tradução para o espanhol do livro Macunaíma, de Mário de Andrade (1893-1945). Mas sua casa definitiva seria Salvador, para onde se mudou na década de 1950 após ajudar na montagem de um jornal no Rio de Janeiro, o Diário Carioca. Na capital baiana, descobriu-se brasileiro e naturalizou-se em 1957.

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Foi desenhista, gravador, pintor, escultor, jornalista, ilustrador, ceramista, muralista, pesquisador, historiador. O nome artístico, Carybé, ele acreditava ser inspirado num pássaro brasileiro. Quando descobriu que era, na verdade, nome de iguaria dada às mães de recém-nascidos, disse apenas: "Que bom, eu adoro mingau."

Ilustrador e assunto

Carybé fez da Bahia cenário de sua arte: nas obras, retratou cenas do cotidiano do povo brasileiro. Levou as festas, as baianas e os vilarejos de pescadores a inúmeras exposições no Brasil e no exterior. Ilustrou livros de grandes escritores brasileiros e latino-americanos - como o citado Macunaíma, de Mário de Andrade; A borboleta Amarela, de Rubem Braga; O Enterro do Diabo, de Gabriel García Márquez; obras de Carlos Drummond de Andrade e Mario Vargas Llosa, entre outros.

Para Jorge Amado, foi ilustrador e assunto: serviu de tema para O Capeta Carybé, no qual Jorge reuniu relatos sobre a vida do artista, definido pelo escritor como "exemplo notável em sua arte, que recria a realidade do País e da vida popular que ele conhece como poucos, por tê-la vivido como ninguém".

Entre todas as homenagens que recebeu, aquela da qual mais se gabava pouco tinha a ver com a veia artística que o consagrou. Devoto ardoroso do candomblé, orgulhava-se de ter sido sagrado com a mais alta distinção da religião: Obá de Xangô, ou seja, ministro de um dos mais poderosos orixás.

Arte no céu

A devoção ao candomblé rendeu também o livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, fruto de 30 anos de pesquisa. Costumava dizer: "Amo a religiosidade afro-brasileira. Amo seus deuses humanos e modestos que têm de enfrentar, hoje, esses deuses contemporâneos terríveis e vorazes, que são a ciência e a tecnologia."

Como autêntico devoto, escolheu certeiro seu lugar de transcendência. No dia 1º de outubro de 1997, em Salvador, quando tomava parte de uma celebração no terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, de Mãe Stela de Oxóssi, sofreu fulminante ataque do coração. Aos 86 anos, havia se tornado um dos mais renomados ilustradores do País, com mais de 5 mil trabalhos entre pinturas, desenhos, esboços e esculturas. Uma parte está no Museu Afro-Brasileiro de Salvador: 27 painéis de madeira de cedro que representam os orixás do candomblé da Bahia - cada qual com suas armas e animal litúrgico.

Dedicou-se até o último dia da vida a inúmeros projetos. Pintou com cores vivas a vida e a cultura afro-brasileiras. Quando partiu, disseram que foi fazer arte no céu.

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