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Brasil anos 30: A educação e a criação da USP

Os Homens de ciência e, de um modo geral, os donos da tecnologia, presos cada qual aom campo restrito do respectivo domínio, subestimam o seu valor conjunto. Serão eles, no entanto, que levarão afinal a humanidade de volta ao "paraíso perdido". Lúcio CostaCom a Revolução de 30 instalou-se um novo regime político no Brasil e o país entrou numa fase de intensas transformações nos planos econômico, social, político e cultural. Ainda que o regime forte tenha dado a tônica na cena política e apesar das condições adversas por ele impostas, no setor cultural os dissidentes deram o tom e encabeçaram reformas expressivas nas instituições oficiais.

Sob um clima de novidades e expectativas foram criados: o Ministério da Educação e Saúde, as primeiras universidades brasileiras, implantou-se a gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário, foi introduzido o ensino profissionalizante para as camadas menos favorecidas da população. As aspirações de renovação vindas da década anterior, antes restritas à vanguarda, atingiram uma escala mais ampla e o que era exceção passou a norma.

Os anos 30 se constituíram num importante referencial no quadro da cultura no país; eles são um "eixo em torno do qual girou de certo modo a cultura brasileira, catalisando elementos dispersos para dispô-los numa configuração nova" (Candido, 1980). O ensino: eis uma das preocupações das vanguardas que ganhou grande repercussão em meio ao clima de revolução cultural vigente.

Entretanto é preciso ressaltar que os princípios renovadores que nortearam as propostas de reforma correspondem a iniciativas já apresentadas na década de vinte, caracterizada por Fernando de Azevedo como o período do "movimento pela renovação educacional". As Conferências Nacionais de Educação, realizadas pela Associação Brasileira de Educação (1927, 1928, 1929); o inquérito "O Problema Universitário Brasileiro" (1928); o Inquérito do Rotary Clube de São Paulo (1929); o Inquérito sobre a Instrução Pública em São Paulo (1926) integraram os esforços de ruptura e renovação deste decênio.

Por um lado contemplavam a necessidade de difundir a instrução elementar, e, por outro, pressupunham a redefinição e o aumento de carreiras de nível superior. Ainda neste contexto cabe destacar uma reforma local ocorrida em São Paulo, promovida por Sampaio Dória, em 1920, visando combater o analfabetismo e tornando obrigatório o ensino primário. Dentre as iniciativas importantes para a compreensão da educação vigente, bem como para a criação da Universidade de São Paulo, vale destacar o Inquérito sobre a Instrução Pública em São Paulo, realizado sob a orientação de Fernando de Azevedo, a pedido de Júlio de Mesquita Filho, para o jornal O Estado de S. Paulo.

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