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Flávio Shiró

                                                                                          Flávio Shiró

1928 - Nasce em 27 de agosto, em Sapporo, Hokkaido, Japão, caçula de uma família de 6 crianças. A mãe, Aiko, excelente instrumentista, é aparentada aos Fujiwara que, na Idade Média, deram ao Japão várias imperatrizes e a romancista Murasaki Shikibu. O pai, Massami Tanaka, dentista descendente de samurais, pinta e mantém um diário durante mais de 70 anos, onde nota que o recém-nascido "parece só olhos". O menino recebe o nome de Shiro, tradicional para o 4º filho homem, mas escrito com um ideograma particular composto pelo pai.

1932 - No Japão do século 19, o sogro-avô fora criar um haras imperial numa região selvagem e quase desconhecida. Massami Tanaka, por sua vez, seduzido pela publicidade do "Paraíso Verde", decide emigrar com a família para a Amazônia.

Os colonos dispersados na imensidão da mata, o sol equatorial, a maleita, bicho-do-pé, cobras de todo tamanho e cor, tatus e onças pretas, o aprendizado da caça com um índio solitário, a vivência no ambiente hostil mas fascinante de Tomé-Açu, no Pará, marcará para sempre a memória do Menino.

1937 - A irmã Maria Wakae, estudante que falecerá em Belém poucos meses depois, lhe propõe nomes brasileiros. O pequeno Shiro escolhe "Flávio".

1939/41 - Em busca de vida e educação melhores para os filhos, a família "pega o Ita" para o Sul. Após alguns meses, numa plantação de chá em Moji das Cruzes, se instala em São Paulo. O menino ajuda na quitanda aberta pelos pais, ao mesmo tempo em que continua na escola e no curso de japonês. Pearl Harbour: a guerra chega pelas imagens do Paramount News, num cinema da rua São Joaquim.

1942 - Recebe uma caixa de tintas do pintor Higaki e, sentado no telhado da casa, realiza sua primeira paisagem, a Praça da Sé. Ingressa na Escola Profissional Getúlio Vargas, onde conhece Sacilotto e Otávio Araújo, na pintura, e Marcello Grassmann, então entalhador. Como reação ao ensino acadêmico, vai pintar a paisagem urbana da capital - um pacata cidade de 400 mil habitantes - em cuja sociedade multicultural começa a se integrar através das artes. Frequenta o "galinheiro "do Teatro Municipal - Y. Menuhin, M. Horszowski ou Harald Kreuzberg - ao mesmo tempo que gafieiras, folguedos populares e Pacaembu: é o primeiro corintiano da colônia japonesa.

1943/45 - Para ganhar sua vida, entrar na cerâmica Tasca. Fica goleiro da equipe de futebol da empresa e descobre a ópera, o pai do patrão tendo sido substituto de Caruso. O pintor Cezar Lacanna, que pertence à família artística da Paulicéia, o apresenta aos membros do Grupo Santa Helena: assim, seu primeiro nu é desenhado no atelier de Rebolo Gonçalves, em companhia de Volpi, Mario Zanini, Rizotti, Penacchi, enquanto a Segunda Guerra Mundial forma um pano de fundo de bombardeios, culminando com a explosão das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Vive o conflito entre o Japão, país de nascimento, e o Brasil, terra de acolhida.

Torna-se membro do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo. "Ninguém vivia de pintura naquela época. Trabalhávamos numa outra profissão, para poder desenhar de noite e pintar aos sábados e domingos. O que me deixa saudoso é a relação de camaradagem e amizade que unia os pintores."

1946 - Passa a trabalhar na Metro Goldwyn Mayer, pintando letras e recortando as silhuetas de Lana Turner, Judy Garland, etc., para vitrines de cinema. "Recebia 2 bilhetes grátis por filme. O Metro era todo de veludo bourdeaux, escovado, perfumado, um luxo!...", até que a escultural Esther Williams, cujo sucesso "A Escola das Sereias" fica em cartaz meses a fio, o obriga a buscar outro emprego.

1947 - Apresentado pelo pintor Takaoka, que trabalhara lá antes, desenha móveis e perspectivas na Decoração Enrique Liberal: trabalho escolhido por ocupar somente metade do dia, o que lhe permite consagrar mais tempo à pintura. Com o dinheiro do primeiro quadro vendido a um conhecido de Tomé-Açu, constrói um pequeno atelier de madeira no quintal da casa.

Expõe com o Grupo dos 19 na Galeria Prestes Mais e ganha o 4º prêmio. No júri, Di Cavalcanti, Anita Malfatti e Lasar Segall. Descoberta do teatro moderno com "Vestido de Noiva" de Nélson Rodrigues, com Cacilda Becker e direção de Ziembinsky, recém-chegado da Europa.

Inauguração do Museu de Arte de São Paulo, na rua 7 de Abril, que frequenta muito, e em cuja cinemateca - incendiada mais tarde - fará seu aprendizado de cinéfilo.

1948 - Vai trabalhar na molduraria de Kaminagai, pintor da Escola de Paris, no Rio. Conhece Inimá de Paula, com quem sai para pintar em Santa Teresa e em Niterói. "O casamento da rua Mauá, 73, em Santa Teresa, era o Montparnasse carioca. Lá apareciam os críticos Mário Pedrosa, Quirino Campofiorito, Antonio Bento, Mário Barata, e os pintores Ivan Serpa, Almir Mavignier, Ione Saldanha, Van Rogger e o Antonio Bandeira, que fazia a ida e a volta a Paris".

1949 - Participa do Salão Nacional de Arte Moderna, Rio: sua Natureza Morta ganha a Medalha de Bronze. "Mas somente no Diário Oficial: Pancetti, que fez parte do júri, tendo se recusado a atribuir as medalhas de ouro e de prata, a de bronze nunca foi cunhada".

Recebe o prêmio Augusto Frederico Schimidt no SAPS, Rio.
1950 - Primeira exposição individual, no Saguão do Centro Acadêmico da Escola de Belas Artes, do Rio, com apresentação de Antonio Bento. O pintor holandês Wim Van Dijk compra o quadro Noturno.

1951 - Volta para São Paulo.

Prêmio de aquisição no Salão Paulista de Arte Moderna. Expõe três quadros: Frevo, Auto-retrato Composição, na primeira Bienal de São Paulo, no Trianon.

A Escola de Paris fica cada vez mais presente. O teórico da pintura abstrata, Léon Degand, provoca polêmicas.

1952 - Medalha de Ouro no 1º Salão Sebikai.

Exposição individual no Clube Cereja, São Paulo, com introduções de Kaminagai e Sérgio Milliet. Com a venda dos quadros, arrecada a viagem a Paris.

Começo da amizade com Tomie Ohtake, ainda figurativa.

Naturaliza-se brasileiro.

1953 - Em junho, embarca para Santos a bordo do transatlântico "Conte Grande" rumo a Nápoles. "Depois de tanto sonhar, acordei com o apito de partida. Entre o cais e o navio, a lenta despedida. Paris estava tornando-se realidade".

Viaja pela Itália com o itinerário e as dicas que Lívio Abramo fornecia aos amigos. "Olhava com tanto afinco que, de noite, todos os objetos arqueológicos, as pinturas e os monumentos desfilavam novamente no sonho... Como esquecer aquela rapariga que me ajudou a carregar a mala pesada na estação de Veneza, ou o som de um concerto nas Termas de Caracalla?"

Chega em Paris em pleno verão. Percorre a cidade toda de bicicleta. Mora no último andar de um dos mais antigos hotéis, rue Descartes.

Curto aprendizado de gravura com Friedlander.

Conhece os pintores japoneses Sugaï e Tabuchi.

1954 - O inverno é memorável: até os diques holandeses racham com o frio. "NO sótão do hotel, não havia nem água nem aquecimento. Para dormir, a - 16º, passava ferro quente nos lençóis... mas no verão, o som dos violões subia a rua..."

Depois de um mergulho no livro de Cennino Cennini sobre técnicas de pintura, realiza estudos de Lorenzetti, Mantegna e Rubens no Louvre.

Faz um curso de mosaico com Gino Severini. "Um dia, Jean Cocteu visitou o atelier. Gostou do meu trabalho, sobretudo da mão do guitarrista, dizia que era bem observado."

Encontra Beatrice, que estuda cenografia, numa conferência no American Center. Viaja, dirigindo o fusca do Inimá, com este, Mori e Takaoka até a Dinamarca, via Alemanha, Holanda e Bélgica. "Mas o que marcou mesmo, nesta viagem, foi o Altar de Grünewald, em Colmar." No outono, outra viagem com Inimá e amigos para a Espanha, e a descoberta de Goya, Bosch, El Greco, Granada e a Barcelona de Gaudí.

1955 - Faz litografia na École Nationale Superieure des Beaux Arts de Paris, com o professor Jaudon.

Vai a Londres com Beatrice, Marcello Grassman e Augusto Rodrigues para assistir à vernissage de Bandeira.

Casa-se com Beatrice, sendo testemunhas Marcello Grassman e Inimá.

Fonte: www.museuvirtual.com.br

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