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Estádio do Morumbi

Estádio do Morumbi

No estádio do Morumbi há uma história escondida de muitas glorias conseguidas com suor e esforço, ilusões e sacrifícios. O São Paulo surgiu da fusão de dois clubes, no ano de 1930 - o Clube Atlético Paulistano, o mais poderoso time brasileiro na era do amadorismo, que resolveu extinguir seu futebol com a chegada do profissionalismo, e a Associação Atlética das Palmeiras (nada a ver com o atual alviverde do Parque Antárctica), possuidora de todas as instalações esportivas da lendária Floresta, na Ponte Grande, ao lado do E. C. São Bento e do C. R. Tietê, mas que passava por uma séria crise financeira. Diretores e associados do Paulistano, não aceitando a extinção do seu time de futebol, procuraram os diretores do Palmeirase juntaram suas forças para no dia 28 de janeiro de 1930, fundar um novo clube.

Do C. A. Paulistano viria a estrutura futebolística, o que já havia rendido alguns campeonatos paulistas. A A. A. das Palmeiras entraria com as instalações, o lendário "Campo da Floresta". Daí o fato do time ter sido batizado de SÃO PAULO DA FLORESTA CLUBE. As iniciais são as mesmas até hoje (S.P.F.C.). O São Paulo F.C. herdaria do Paulistano tambem o apelido de "Glorioso".

Símbolos

O nome, as três cores e as formas dos uniformes do São Paulo não nasceram por acaso, nem tampouco como fruto de uma combinação harmoniosa de cores e formatos. O nome obviamente foi tirado da cidade e do Estado. As três cores do São Paulo foram tiradas do vermelho do Paulistano, do preto da A. A. das Palmeiras e do branco dos dois.

A camisa do Paulistano era branca com as iniciais do clube (CAP) vermelhas no peito e uma faixa horizontal vermelha, enquanto que a camisa da A. A. das Palmeiras era branca com uma faixa horizontal preta. Assim, a nova camisa do São Paulo seria branca com faixas horizontais vermelha e preta (o que se mantem até hoje).

No uniforme número um, a faixa vermelha e o distintivo obedeceram a mesma disposição da camisa do Paulistano. A faixa preta da A. A. das Palmeiras ficou abaixo. O uniforme número dois, listado, foi idealizado segundo as faixas da bandeira paulista.

Os formatos oficiais das camisas e do símbolo foram desenhados por Walter Ostrich (Oliver), alemão simpatizante do novo clube em formação. Nessa tarefa, segundo seu próprio testemunho, Firmiano de Moraes Pinto Filho, um dos fundadores, prestou grande colaboração.

A Estréia

No dia 2 de fevereiro de 1930, o São Paulo realizou seu primeiro treino na chácara da Floresta. Quase um mês depois, no dia 9 de março, um público muito bom compareceu a sua estréia no Torneio Início da APEA e na inauguração do Estádio da Floresta. O centroavante Formiga foi o autor do primeiro gol oficial da história tricolor. O adversário foi o Clube Atlético Ipiranga, e o resultado final marcou 3 a 1 para o São Paulo.

No mesmo local, teve início, no dia 16 de março, o Campeonato Paulista de 1930. A estréia do Tricolor foi novamente contra o Ipiranga, e a partida terminou empatada em 0 a 0. A equipe jogou com Nestor, Clodô, Barthô, Book e Zito; Alves, Luizinho e Mílton; Friedenreich, Seixas e Zanuela.

O Primeiro Título

O São Paulo não demorou para realizar seu primeiro grande feito: conquistar o Campeonato Paulista de 1931. Foi uma brilhante campanha com 20 vitórias, 5 empates e apenas uma derrota. O ataque contava com nada menos que Arthur Friedenreich (foto), "El Tigre", considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos, marcando1329 gols em sua carreira. Naquele campeonato paulista, Friedenreich marcaria em 26 jogos 32 dos 92 gols marcados pelo time. O time de 31 era composto por Joãozinho, Armandinho, Barthô, Bino, Araken, Clodô, Friedenreich, Luizinho, Sarno, Mílton e Junqueirinha (na foto desse time, aparecem os jogadores com camisas brancas, faixas preta e vermelha no peito, e o distintivo idêntico ao atual).

Na final de 31, o tricolor venceu o poderoso Palestra Itália por 4 a 0 no dia 7 de dezembro. Um detalhe interessante é que o São Paulo jogou esta partida desfalcado do atacante Siri, e o seu substituto, Armandinho, foi autor de três gols. Recentemente, o atual corpo diretivo do São Paulo resolveu reconhecer a legitimidade da conquista deste título pelo clube.

Essa vitória em 1931, numa época em que o Campeonato Paulista era dominado exclusivamente por Corinthians e Palestra Itália, fez com que se formasse uma torcida que, mesmo pequena, seria fundamental para que o tricolor sobrevivesse a uma série de problemas que se seguiriam.

Em 1933, no 1o. Torneio Rio-São Paulo, competição que marcava o início do profissionalismo no futebol brasileiro, o São Paulo foi vice-campeão.

O Fim do São Paulo da Floresta

Já nessa época, como hoje, o São Paulo era chamado de clube de elite. A maioria dos seus diretores e conselheiros, eram de classes previlegiadas. Mas nem por isso o clube deixou de passar por crises e até por falências.

Os anos foram passando e 1934 não parecia muito promissor para o São Paulo, que atravessava uma séria crise financeira. Devia na praça cerca de 190 contos de réis. Não bastasse isto, nesta mesma época, havia estourado uma nova cisão no futebol paulista: Corinthians e Palestra Itália deixaram a APEA e filiaram-se à recém-fundadaCBD. O São Paulo resolveu fazer o mesmo.

Muitos membros do Conselho Deliberativo não concordaram e buscaram uma nova fusão, desta vez com o Clube de Regatas Tietê. Impossiblitada de pagar suas dívidas, a diretoria decidiria, em fins de 1934, extinguir o setor de futebol e fundir a parte social do clube com o C. R. Tiete. Muitos dos jogadores foram para outros clubes, e o time ficou reduzido a somente alguns jogadores e sem sede social. Formou-se uma rebelião e a situação tornou-se grave. Ficou então decidido que o São Paulo encerraria suas atividades como clube de futebol - isto em 14 de maio de 1935.

O Novo e Definitivo São Paulo Futebol Clube

A torcida são-paulina que tinha se formado já em 1930, e tinha festejado o campeonato de 1931, se uniu e formou o "Grêmio Tricolor", articulado pelo tenente Porfirio da Paz, como uma forma de manter vivo o time do São Paulo. O título de 31 tinha sido mais mais importante que se podia imaginar. Se o São Paulo não tivesse conquistado aquele campeonato paulista, talvez não tivesse uma torcida tão articulada a ponto de manter vivo o espírito tricolor. Independentemente deste título figurar ou não nas estatísticas de campeonatos paulistas vencidos pelo São Paulo, ele foi uma importantíssima garantia de sobrevivência para o futebol do clube.

O inconformismo tomou conta de muitos jovens são-paulinos que reagiram energicamente contra a extinção do clube. Assim, estes jovens - cerca de 250 - se reuniram na noite de 16 de dezembro de 1935 e, por volta das 22 horas, fundaram, ou melhor, oficializaram o ressurgirgimento do time, agora rebatizado como SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE. A princípio, foram mantidos todos os jogadores que haviam ficado no clube, e também o distintivo e a camisa originais.

Naquela reunião estavam presentes figuras das mais importantes para a história do clube, destacando-seManoel do Carmo Mecca (o primeiro Presidente do São Paulo Futebol Clube) e o Tenente José Porfírio da Paz (que com o tempo viraria General, mas continuaria um grande entusiasta do tricolor). Manoel do Carmo Mecca teve a incumbência de reunir outros tricolores que haviam se desligado na fusão anterior. Todos aderiram ao novo São Paulo que começava a crescer.

O Novo início

O Tenente Porfírio ficou encarregado de formar um novo elenco. Com isto, gastou toda sua fortuna particular. O clube rebatizado marcaria sua estréia no dia 25 de janeiro de 1936, aniversário da cidade, contra a PortuguesaSantista. Por razões que não são muito claras até os dias de hoje, a partida foi suspensa horas antes de se abrirem os portões. Dizem muitos que isso era articulação de outros times da capital paulista, desejosos de manter o monopólio do futebol na capital. Isto forçaria Porfírio da Paz a interceder junto à Secretaria do Estado para obter uma liminar para que a partida pudesse ser realizada. O time venceu na sua (re)estréia por 3 a 2formando com: King, Ruy, Picareta, Ferreira, José, Segoa, Antoninho, Gabardo, Fogueira, Carrazo e Paulinho.

No entanto, se o São Paulo da Floresta havia sido um sucesso, ganhando um título logo no ano após sua fundacão, o mesmo não ocorreria com o São Paulo Futebol Clube. Nos anos que se seguiram à sua fundação, os insucessos nos campeonatos paulistas se seguiram, e o São Paulo ficaria como um time pequeno por muitos anos.

Após 1935, sem o campo da Floresta (agregado ao C. R. Tiete, quando da fusão em 1934), o São Paulo não teria estádio proprio e treinaria somente em pequenos campos de várzea, como o Campo da Antartcica. Era um periodo em que Corinthians e Palestra dominavam os campeonatos paulistas. Ambos tinham até uma brincadeira que dizia "Campeonato Paulista é como um tira-teima pela moeda: se der cara o campeão e Corinthians, se der coroa, o campeão e o Palestra". E acrescentavam "o São Paulo só será campeão se a moeda cair em pé, e a Portuguesa, se ela parar no ar" . Foi nessa época que o São Paulo ganhou o apelido de "Time da F´".

Em 1938, o Sao Paulo recebe a adesão do Clube Estudantes e o time cresce, conseguindo um vice-campeonato paulista naquele ano.

Crescimento nos Anos 40

A inauguracão do Estádio do Pacaembu em 1941 significaria a chance do São Paulo "ter um estádio" para o seu mando de jogo. O São Paulo continuou crescendo. Porém, a moeda so viria a cair em pé em 1943! O São Paulo se sagraria campeão paulista com King, Zarzur, Piolim, Virgilio, Zezé Procópio, Noronha, Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Pardal. Naquele campeonato paulista, o "Diamante Negro" (Leônidas da Silva) seria o maestro dessa conquista.

Em 1944, passando por uma fase financeira melhor, o São Paulo passa a ter o Caninde como seu estádio. E os títulos começaram a aparecer: o tricolor seria campeão paulista em 45, 46, 48 e 49. A equipe bicampeã de 49 tinha o grande lateral esquerdo Noronha, e na frente o lendário "Diamante Negro". O time de 49 era composto por: Mário, Ruy, Saverio, Mauro, Bauer, Noronha, Frianca, Ponce de Leon, Leônidas da Silva, Remo e Teixeirinha.

Os Anos 50 e o Sonho do Morumbi

No começo da década de 50, surge a idéia de construir um grande estádio para o tricolor. O que poucos sabem e que a proposta inicial era construir um estádio no local que é atualmente o Parque do Ibirapuera, na época, uma região alagada. Abandonada esta idéia, no ano de 1951, dirigentes do São Paulo percorreriam a cidade em busca de um terreno compatível com as ambições do tricolor - construir o maior estádio particular do mundo.

E foi assim que finalmente no final de 51, encontraram uma área no Jardim Leonor (ou Morumbi), na zona sul de São Paulo. A idéia de constuir um estádio numa area tão distante da cidade (na época, o Morumbi era um bairro praticamente desabitado) viraria piada entre os grandes clubes da capital. Ninguém acreditava que a idéia sobreviveria, mas sobreviveu. Em dezembro de 1951, a prefeitura de São Paulo doou uma parte do terreno, sendo a outra parte comprada pelo clube. Assim, com o terreno para a edificação do sonho, Cícero Pompeu de Toledo, então presidente do clube, assinaria o contrato da construcão do estádio, e no dia 15 de agosto de 1952, lançava-se a pedra fundamental. Iniciava-se ali uma nova fase para o São Paulo. O estádio do Caninde foi vendido, e o dinheiro seria todo revertido em material de construção. Todo o resto da receita do clube também seria investido na construção do estádio, enquanto o time de futebol ficaria a segundo plano. Para levantar dinheiro necessário, o São Paulo usou de todos os recursos que dispunha: vendeu o Caninde para a Associação Portuguesa de Desportos, vendeu jogadores, e vendeu cadeiras cativas para o novo estádio. Mesmo assim, o São Paulo ainda conquistaria os títulos paulistas de 53 e 57. O time de 53 contaria com Poy, de Sordi, Mauro, Pe de Valsa, Bauer, Alfredo, Maurinho, Gino, Albella, Negri e Teixeirinha. E em 1957, seria campeão com Poy, de Sordi, Mauro, Dino, Vitor, Riberto, Maurinho, Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro.

Os Sacrificados Anos 60

O Estádio Cícero Pompeu de Toledo, ou Morumbi, foi inaugurado em 2 de outubro de 1960 ,numa partida entre São Paulo e Sporting Lisboa (Portugal), com menos da metade do anel superior completo (apenas 30 dos 72 vãos estavam completos). O São Paulo venceu aquela partida por 1 a 0, gol de Peixinho. O São Paulo formou nessa partida com: Poy, Ademar, Gildésio, Satiro, Vitor, Ribeiro, Peixinho, Jonas, Gino, Gonçalo e Canhoteiro.

Mesmo com o estádio inaugurado, o sonho ainda não estava concluído. Este seria o mais longo período de sacrifícios que se poderia imaginar. Mais 8 anos foram consumidos para a obra ser terminada. Era uma época em que "mais valia um tijolo do que um jogador", para terminar o estádio. Foi em 1960 que o São Paulo, impossibilitado de comprar grandes craques de outras equipes, implantaria uma escolinha de futebol. A idéia foi levada ao São Paulo por Vicente Feola. Depois da conquista do Copa do Mundo pelo Brasil, em 1958 na Suécia, Vicente Feola foi treinar o Boca Juniors da Argentina e conheceu um projeto, implantado naquele clube, de formacão de jovens telentos. Quando Feola voltou ao Brasil em 1960, implantou um projeto similar no São Paulo. Para o clube, o projeto viria numa hora muito conveniente, pois seria muito mais barato formar novos jogadores do que comprar craques consagrados (em 1975, em homenagem a Feola, o São Paulo inauguraria a "Escola de Futebol Vicente Ítalo Feola"). Os novos talentos formados naquele período teriam seus passes vendidos, e o dinheiro arrecadado seria transformado em recursos para a conclusão do estadio. Como resultado, o São Paulo ficaria sem títulos importantes por 13 anos. Naqueles anos, ficou marcada para sempre a figura do zagueiro Roberto Dias, segundo muitos, o único craque são-paulino dos anos 60.

A Volta Das Glórias Nos Anos 70, 80 e 90

Com a conclusão do estadio em 1970, as glórias tricolores voltaram. A inauguração completa aconteceu em 25 de janeiro de 1970. Neste dia o São Paulo empatou em 1 a 1 com o F.C. Porto. O gol são-paulino foi marcado por Miruca e o gol de empate do time português foi feito por Vieira. O São Paulo que inaugurou o Morumbi completo, com capacidade para 150 mil pessoas (na época), foi este: Picasso, Édson, Jurandir, Dias e Tenente; Lourival e Gérson; Miruca (Zé Roberto), Toninho, Téia (Babá) e Paraná (Claudinho).

Era hora de colher os frutos de tanto sacrifício! O sonho do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, ou Morumbi, havia virado realidade. O São Paulo era, finalmente, um grande time com um grande patrimônio.O São Paulo conseguiria finalmente conquistar campeonatos paulistas em 70 e 71, contando com os novos contratados Gérson, Pedro Rocha, Toninho Guerreiro e Pablo Forlan. Ainda nos anos 70, o São Paulo foi campeão paulista de 75, e brasileiro de 77..

Hoje o São Paulo Futebol Clube é um clube tranqüilo, e um dos mais respeitados e conceituados no Brasil e no exterior. Sua estrutura e patrimônio invejáveis permitiram a conquista de títulos expressivos nos anos 80 e 90, como:

  • Campeonatos Paulistas de 85,87 e 89
  • Bicampeonatos Paulistas de 80-81 e 91-92
  • Campeonatos Brasileiros de 77, 86 e 91
  • Copas Libertadores de 92 e 93
  • Bicampeonato Mundial de Clubes em 92 e 93
  • Supercopa da Libertadores 93
  • Recopa Sulamericana 93 e 94
  • Copa Conmebol 94

Com tudo isso, sua imensa e maravilhosa torcida é a que mais cresce no Brasil.

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