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Jardim da Luz


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Em 1798, o Parque da Luz foi inaugurado como Jardim Botânico. Depois de reformado, foi inaugurado em 1825 como o primeiro jardim público da cidade. Dez anos mais tarde, o presidente da província Rafael Tobias escrevia em seu relatório: "Continua-se a trabalhar no Jardim estabelecido nesta cidade; ainda que seja uma despesa que mais toca ao agradável do que ao útil, não se pode dispensar, uma vez que ele já serve de recreio aos cidadãos em certos dias, e não é conveniente abandonar uma obra começada, perdendo-se o que está feito".  

Em 1860, parte das terras do Jardim Público da Luz (cerca de 20 braças, ou 44 metros) foi entregue à Companhia Inglesa para a construção da estação da estrada de ferro, a futura Estação da Luz, e, no final do século, mais terras foram cedidas para a construção do Colégio Prudente de Morais e do Liceu de Artes e Ofícios. Restou hoje uma área de 113.400 metros quadrados. 

O problema é que até meados do século XIX a população não freqüentava o Jardim Público da Luz. O viajante Frédéric Houssay observa em 1862: "Jamais encontrei alguém ali que não fosse o seu velho jardineiro alemão". 

Na verdade, o Jardim Público da Luz só se tornou popular no governo de João Teodoro (1872-1875), quando, depois de reformas que incluíram a instalação de um observatório astronômico, cumpriu o papel de parque de lazer para a população, local de passeio das famílias, ponto de encontro dos passageiros que desembarcavam na Estação da Luz, vindos de Santos ou do interior. Em 1883, recebeu iluminação elétrica. 

No governo de Antonio Prado, prefeito da cidade de 1899 a 1910, o jardim passou por novos melhoramentos, como calçamentos, construção de tanques, bancos e coretos. O viajante francês Paul Adam deixa registrado em 1914: "Aos domingos, no Jardim da Luz, é agradável ver esse povo energético, bem trajado, entregar-se aos prazeres da ginástica e da patinação, por entre o emaranhado das mais belas árvores tropicais, diante dos quiosques onde as mulheres em sua elegância saboreiam sorvetes, bebem refrescos. É a vida sadia e limpa". 
A população paulistana, portanto, passou a freqüentar regularmente o Jardim da Luz, aos domingos e feriados, quando, ao som das bandas de música, passeava entre plantas, árvores centenárias, lagos e animais - preguiças, zebras, jaburus, garças, pavões, girafas, tamanduás, onças, peixes, entre outros. 

Com a degradação da região central da cidade, partir da década de 1970, o Jardim da Luz ficou praticamente entregue à prostituição, tráfico de drogas, contrabando e outras atividades criminosas. A população afastou-se do local, considerado perigoso. No final da década de 1990, entretanto, o governo assumiu a recuperação do Jardim da Luz. O coreto foi restaurado, bem como o lago e os caminhos. O lugar recuperou o seu caráter público; ali crianças, jovens, namorados e idosos podem esquecer o tumulto da cidade e realizar um agradável passeio entre árvores majestosas e esculturas de artistas brasileiros.

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