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Rebolo Gonsales

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Francisco Rebolo Gonsales inicia sua trajetória artística em 1934, época em que uma nova geração emerge no meio cultural brasileiro. É uma geração de artistas que não procede da classe social mais privilegiada, mas sim de famílias de trabalhadores que chegam a São Paulo como imigrantes; são, em geral, seus descendentes diretos. Rebolo é um dos poucos, nessa geração, que descende de espanhóis, enquanto a maioria é de origem italiana. Quase à mesma época, surgem no cenário artístico, também, artistas japoneses ou descendentes. A presença do imigrante marca fortemente o momento artístico das décadas de 1930 e 1940.

A nova base humana que se manifesta nas artes plásticas começa a aglutinar-se em grupos e jostras coletivas de arte moderna, abertas ao grande público. Como Rebolo, tais artistas participam, muitas vezes, de sua organização, ao lado de críticos e poetas. Ressentem-se da falta de um espaço para a arte moderna na cidade de São Paulo e no País.

Rebolo começa sua carreira como pintor, no início dos anos 1930, quando abandona a atividade de jogador de futebol, ao mesmo tempo em que trabalha como pintor-decorador de residências.

Em 1933, instala, no edifício Santa Helena, na Praça da Sé, um ateliê que é, ao mesmo tempo, uma sala de trabalho para atender sua clientela de pintura em residências. É nesta sala que se aglutina o chamado grupo Santa Helena, a partir de 1935. No ateliê, o grupo realiza sessões coletivas de trabalho para pintar e para desenhar modelo vivo. Saiam juntos, também, para pintar nos subúrbios e pequenas cidades vizinhas de São Paulo.

Logo que se constitui e começa a marcar presença em exposições coletivas, o Grupo Santa Helena chama a atenção dos principais críticos atuantes na época, como Mário de Andrade e Sérgio Milliet.

Rebolo está presente em todos os importantes eventos ligados à história da arte moderna. Integra, por exemplo, o Salão de Maio, os Salões da Família Artística Paulista e do Sindicato dos Artistas Plásticos; pertence ao grupo de artistas que defende a criação de um Museu de Arte Moderna em São Paulo e, mais tarde, a Bienal, entre outros feitos que são relatados, mais adiante, na cronologia de sua vida artística. Um ponto alto de sua carreira é quando recebe, no Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o "Prêmio de Viagem ao Exterior", em 1954.

O artista mantém, ao longo de seu percurso de pintor, a pesquisa em torno da paisagem, da natureza-morta e da figura humana, temas que são marcantes nos anos trinta e quarenta na arte brasileira. Mas vai assimilar e desenvolver novas e diversas pesquisas de linguagem plástica, criando sua poética peculiar. Várias fases podem ser identificadas em sua produção artística.

A obra de Rebolo é apresentada ao público em inúmeras jostras individuais e coletivas, ao longo de sua vida. Em 1973, o Museu de Arte Moderna de São Paulo realiza a primeira retrospectiva de seu trabalho, época em que se realizam também exposições em Brasília e no Rio de Janeiro. Os eventos de 1973 põem em destaque os seus quarenta de pintura, mas o artista viverá mais sete anos, até 10 de julho de 1980, trabalhando até o seu último dia de vida.

Em 1985, cinco anos após seu falecimento, o Museu Lasar Segall expõe cerca de 80 trabalhos de sua produção e, em 1986, foi lançado um livro que, igualmente, põe em destaque seu percurso artístico e sua obra (edição MWM/IFK). Sua obra vem participando de jostras coletivas voltadas para a história da arte moderna no Brasil e está presente nos acervos dos principais museus de arte do País.

A curadoria identifica as seguintes fases na obra de Rebolo:

- De 1932 até cerca de 1947: período das paisagens feitas ao ar-livre, em locais dos arredores de São Paulo da época, como Cambuci, Tremembé, Sumaré ou cidades próximas como Socorro, Itanhaém, Mogi das Cruzes, São Vicente; época também de produção de naturezas-mortas, de trabalhos realizados a partir de modelo vivo, composições com figuras, executadas em ateliê; de retratos e auto-retratos.

- De 1947 até cerca de 1960: paisagens realizadas via reconstrução imaginária, privilegiando, como em outras composições, os elementos formais. Época da viagem de quase dois anos à Europa, com o Prêmio recebido do Salão Nacional de Arte Moderna (1954).

- Decênio 1960 e início dos anos 1970 (cerca de 1971): período de pesquisa da matéria. A partir da xilogravura, a que adiciona o colorido, o artista pesquisa o efeito resultante, transportando-o para a tela. Em determinado período, deixa o pincel e usa a espátula, desenvolvendo técnica peculiar.

- Década de 1970 (o artista morre em julho de 1980): marca-se pelo retorno a uma estruturação formal da composição, em detrimento do elemento textural antes pesquisado. Retorna ao uso do pincel e de cores luminosas.

O circuito construído para o visitante, ao tempo em que oferece uma aproximação em dinâmica cronológica, põe em destaque as temáticas que o artista desenvolveu em sua produção, evidenciando o componente lírico que é traço essencial de sua obra.

Fonte: www.revista.agulha.nom.br

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